A moda antes e depois da Pandemia

Os grandes acontecimentos mundiais sempre influenciaram a moda. O momento atual de Pandemia por Covid-19 não é diferente.

A história nos traz alguns exemplos de comportamentos que, associados com o que se passava pelo mundo, geraram mudanças sociais definitivas e permanentes.

O primeiro exemplo que podemos citar, só para ficar nos mais recentes, foi a 1ª Guerra Mundial. Com a saída dos homens das fábricas e do trabalho nos campos para irem para o front, as mulheres tiveram que, literalmente, ir para as ruas para buscar o sustento familiar e substituir os operários e agricultores. Isso determinou o fim do espartilho e o começo da era da calça comprida, que, no início, era usada com uma saia ou um avental comprido por cima. Um pouco depois dessa fase, as mulheres passaram a usar calças sozinhas, muito por influência da grande inovadora desse período: Coco Chanel.

Fábrica de munição na França (1916) - Archive of Modern Conflict London/Reuters
Mulher trabalhando em uma fábrica, no período da primeira guerra mundial.

 

Mulheres vestidas para o trabalho nas fábricas, no período da primeira guera mundial.

 

Modelos de roupas para trabalho.

Chanel entendeu muito rápido a necessidade dos novos tempos e soube adaptar esse desejo para a moda e a mulher que surgia. As roupas passaram a ser práticas, com as linhas das roupas mais simples, o comprimento mais curto e o novo conceito que resumia a mulher moderna e independente.

Coco Chanel ( à esquerda) vestindo calça comprida na década de 1920.

Depois desse período o grande acontecimento mundial foi a 2ª Guerra Mundial, que fez com que as mulheres mais uma vez saíssem de casa para trabalhar, enquanto seus maridos e pais estavam lutando pelo país. Foram anos difíceis, cheios de restrições e com o final da guerra, um sentimento de felicidade tomou conta de populações inteiras,  se refletindo mais uma vez na forma como as mulheres passaram a se vestir. Nesse ponto, o visual rigoroso e sequinho já estava ultrapassado e as mulheres estavam cansadas de tanta austeridade para se vestir.

Tailleurs típicos dos anos 40: a moda seguia o rigor dos uniformes militares com silhueta ajustada e poucos adereços femininos.

Em 1947, logo após o término da 2ª Guerra, foi lançado o “New look” ou “Tailleur Bar” de Christian Dior, revolucionário para a época e que  trouxe a feminilidade de volta ao guarda-roupa feminino. Com sua saia super rodada, com metros e metros de tecido e sua proposta de um mundo novo  de paz, cheio de felicidade, prosperidade e abundância.

Foi quando surgiram as primeiras roupas prontas ou, aqui no Brasil, as  “roupas feitas”, peças já produzidas que eram produzidas em massa e compradas para uso imediato. Tudo estava à disposição na loja mais próxima, sem necessidade de idas à costureira e provas cansativas.

É oficial: Maria Grazia Chiuri é a 1ª mulher estilista da Dior ...
O icônico Tailleur Bar, ou New Look, criação de Christian Dior, há 73 anos.

Avançando um pouco mais na linha do tempo, chegamos aos rebeldes anos 50 e 60, com a juventude transviada e o primeiro traje rebelde (hoje um clássico da moda jovem): a calça jeans com camiseta branca e jaqueta de couro preta.

Um verdadeiro símbolo dos anos 50 e começo dos anos 60, a calça jeans passa a ser o vínculo da moda com os jovens rebeldes, assim como a motocicleta e os carros em alta velocidade, representados por James Dean e Marlon Brando no cinema.

Eram anos agitados e a sociedade passava por uma revolução de costumes: os jovens começam a ter necessidade de identidade própria e procuram trilhar o seu caminho desvinculado do que desejavam seus pais, considerados pelos seus filhos, repressivos e antiguados.

 

Flores da Modéstia: A mulher e as calças nos anos 40
Publicidade de marca de “roupas feitas”, anunciando modelos em jeans. Anos 1950 nos EUA.

A música, o cinema, a literatura e as artes em geral seguiram o mesmo caminho e abriram espaço para a outra revolução um pouco mais tarde: os Hippies do final dos nos 60 e década de 70, com suas roupas coloridas, cheias de significado flower power,  as franjas e as bocas-de-sino (que hoje chamamos de flare).

Com seu discurso pacifista, os hippies eram contra a guerra do Vietnan e pregavam o amor livre, o uso de drogas para abrir as portas da percepção e se opunham a tudo que não fosse o senso comum; a coletividade . Esse movimento ficou conhecido como “contra-cultura” e influenciou toda uma geração.

Moda anos de 1970: inspirações de looks e produções
Ponchos, técnica tye die, estampas de cashmere e forais multicoloridos são as principais contribuições do período hippie para a moda.

Outro grupo que influenciou diretamente a moda dos anos 70/80 foi o movimento Punk inglês, com seus cabelos moicanos e suas roupas predominantemente pretas, com muitas tachas e pregos.
Os Punks, diferente dos Hippies, pregavam a agressividade como forma de expressão e mudança e eram contra qualquer forma de autoritarismo. Sua vestimenta e a música são as principais formas de identificação dessa ideologia.

Vivienne Westwood é a principal estilista desse movimento e suas criações romperam com establishment e continuam atuais 45 anos após o surgimento do movimento PUNK, na Inglaterra  em meados dos anos 1970.

1970s Westwood was one of the biggest names in the 1970s and later ...
Vivienne Westwood (de vermelho) na Londres dos anos 1970.

Uma coisa é certa, o laboratório da moda é a sociedade. Quanto maiores forem as mudanças no nosso meio social, maior será a transformação da moda.

Após a Pandemia algumas tendências já se mostram promissoras, como a necessidade de cuidar mais do planeta, a possibilidade de termos relações mais próximas, mesmo estamos distantes e outras que ainda vamos descobrir.

Nesse quadro promissor e novo, só o que podemos fazer por enquanto é imaginar qual será esse mundo novo, tendo a mente aberta e uma atitude otimista em relação ao futuro.

O novo cenário da moda nos permitirá ter mais consciência em relação a cadeia produtiva, a origem dos produtos e nos apontará as novas relações entre as marcas e os consumidores.

Mais do que isso, alertará para a responsabilidade de todos (empresas e clientes) com a economia e com a sociedade.

 

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